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Exercícios

Exercício 1

Exemplo de cálculo do património líquido em termos pessoais. Assim:

Sou dono de (os meus bens):

  • Uma casa que vale 250.000€
  • Um carro que vale 20.000€
  • Depósitos bancários e dinheiro na carteira cujo valor total é de 30.000€

Devem-me (os meus direitos):

  • 100.000€

O meu Património Ativo (Bens e Direitos) é de 400.000€.

Devo (as minhas obrigações):

  • ao banco por um empréstimo à habitação 150.000€

O meu Património Passivo (Obrigações) é de 150.000€.

Ou seja, o meu Património Líquido:

\[ {\text{Património Líquido}}={\text{Património Ativo}-\text{Património Passivo}}=250.000\text{€} \]

 

Exercício 2

Calcular o património líquido de uma nova empresa com as seguintes ocorrências / transações:

a) Cinco sócios criam empresa de consultoria tendo realizado em capital (investindo na empresa) 50.000€;

b) A empresa compra, a pronto pagamento, portáteis no valor de 3.000€;

c) A empresa presta serviço de consultoria e recebe de um cliente 5.000€;

d) A empresa pede um empréstimo bancário no valor de 3.000€;

e) A empresa paga renda de aluguer de escritório no montante de 1.000€.

Património líquido

Património Líquido:

\[ {\text{Património Líquido (}}={\text{Capital Próprio ou Situação Líquida)}}=54.000\text{€} \]

 

Exercício 3

Exemplos de operações com aplicação da dupla entrada:

(1) Constituição de uma empresa com entrada de dinheiro pelos sócios em 40.000€;

(2) Compra de equipamento a pronto pagamento no valor de 30.000€;

(3) Compra de mercadoria a crédito no valor de 5.000€;

(4) Compra de mais 3.000€ de mercadoria, 50% a pronto, 50% a crédito.

Aplicação da dupla entrada

 

Exercício 4

Nota: A Demonstração de Resultados não se orienta pelo tempo da Demonstração de Fluxos de Caixa, mas pelo tempo económico,

Registou-se uma venda com a emissão de uma fatura. O tempo económico a que essa transação diz respeito é o do período ou exercício em que se facultou o bem ou serviço ao cliente, independentemente de ele ter pago a pronto pagamento ou não. Assim, aquela ocorrência dará origem a:

  • um aumento da dívida de clientes no lado esquerdo (ativo corrente) do Balanço;
  • ao registo da venda na Demonstração de Resultados, com consequente aumento do resultado líquido do período e consequente aumento do capital próprio, no lado direito do Balanço;
  • a uma diminuição do inventário, no lado esquerdo do Balanço, pelo custo do que foi vendido;
  • ao registo desse mesmo custo (negativo), que será subtraído na Demonstração de Resultados, com a consequente diminuição do resultado no capital próprio, no lado direito do Balanço.

Posteriormente, no período ou exercício \(^{(1)}\) em que o cliente vier a pagar, faz-se:

  • a anulação da dívida do cliente no lado esquerdo do balanço (ativo corrente);
  • por contrapartida, o aumento da caixa, também no lado esquerdo do balanço (ativo).

É nessa altura que o recebimento será registado na Demonstração de Fluxos de Caixa.

\(^{(1)}\) Usamos alternativamente a período (período de tempo) a designação de exercício contabilístico (p.ex: exercício de 1 janeiro 2010 a 31 dezembro de 2010).

 

Exercício 5

Com as operações:

(1) Pagamento de rendas de aluguer de um escritório de 2.000€;

(2) Venda de mercadoria a crédito por 10.000€ (2.1) que custou 7.000€ (2.2);

(3) A empresa pagou juros de um empréstimo no valor de 500€.

Demonstração Resultados Por Funções

 

Exercício 6

Em janeiro de 2020, a Rita, o Tomás e o Rui, após terminarem o curso de Eng. Eletrotécnica, criaram e iniciaram a atividade de uma empresa comercial de produtos de informática. Nesse mês ocorreram os seguintes factos:

(1) Para iniciar a atividade, cada um dos três sócios participou com um capital de 10.000€, totalmente realizado em dinheiro;

(2) Contração de empréstimo bancário de médio longo prazo no montante de 100.000€;

(3) Aquisição de uma loja pelo montante de 80.000€. Pagamento efetuado no ato da escritura (a 01/01/2020);

(4) Compra de diversos equipamentos e acessórios de informática para posterior comercialização. O valor da compra foi de 20.000€ e as condições de pagamento acordadas com o fornecedor foram: a 90 dias da data da fatura;

(5) Durante o 1.º mês a empresa faturou 15.000€, com pagamento a 60 dias. O material vendido teve um custo de aquisição de 10.000€;

(6) Pagou-se no final do mês ordenados e outros encargos com o pessoal no montante de 1.500€.

Elabore o Balanço no dia 31/1/2020 e a Demonstração de Resultados do mês de janeiro.

R:

Balanço e DR Por Funções

 

Exercício 7

(1) A empresa comprou novas instalações por 30.000€, tendo pedido um empréstimo bancário para financiar a compra que terá de pagar de uma só vez ao fim de 10 anos;

(2) As instalações serão utilizadas durante 20 anos, pelo que devido ao seu uso, valerão menos ao fim de cada ano. A lei fiscal permite à empresa contabilizar como gasto um decréscimo anual de 5% do valor das instalações;

(3) Ao fim do 1º ano, o valor contabilístico das instalações é de 28.500€, ou seja:

\[ {\text{Ativo fixo tangível Líquido (28.500 €)}}={\text{Ativo fixo tangível Bruto (30.000€) – Depreciações Acumuladas (1.500 €)}} \]

Nota: As depreciações e amortizações são um gasto que não dá origem a pagamento mas tem um impacto fiscal -> mais gastos, menos resultado antes de impostos, menos impostos.

Depreciações

 

Exercício 8

Balanço e DRF

Rentabilidade do Capital Próprio (RCP)

\[ \small \begin{aligned}\text{RCP} &= \frac {\text{Resultado Líquido do Período}} {\text{Capital Próprio}} \\ \\ &= \frac {\text{229.510€}} {\text{2.026.253€}} = 11.3\% \end{aligned} \]

Ou seja, por cada 100€ detidos pelos sócios na empresa, a empresa gerou 11.3€ de lucro.

Rentabilidade (Operacional) das Vendas

\[ \small \begin{aligned}\text{ROV}&=\frac {\text{Resultado Operacional}} {\text{Vendas}}\\ \\ &= \frac {\text{408.513€}} {\text{14.367.563€}} = 2.8\% \end{aligned} \]

Prazo Médio de Recebimentos (em dias)

\[ \small \begin{aligned}\text{Prazo Médio de Recebimentos (em dias)}&=\frac {\text{Clientes}} {\text{Vendas}}\times 365 \\ \\ &= \frac {\text{3.575.620€}} {\text{14.367.563€}} \times 365 = 90.8 \end{aligned} \]

Em média os clientes pagam à empresa 90.8 dias após a venda dos produtos.

Prazo Médio de Pagamentos (em dias)

\[ \small\text{Prazo Médio de Pagamentos (em dias)}=\frac {\text{Fornecedores}} {\text{Compras}} \times 365 \]

Nota: O valor das Compras tem de ser obtido autonomamente, uma vez que não vem na demonstração de resultados nem no balanço.

\[ \small {\text{Compras = 6.500.000€ (estimativa)}} \]
\[ \small\text{Prazo Médio de Pagamentos (em dias)}=\frac {\text{2.055.897€}} {\text{6.500.000€}} \times 365 = 115.4 \]

Rotação de Inventário

\[ \small \begin{aligned}\text{Rotação de Inventário}&=\frac {\text{Custo das Vendas}} {\text{Inventário médio no ano}}\\ \\ &= \frac {\text{6.667.327€}} {\text{1.747.280€}} = 3.8 \end{aligned} \]

Solvabilidade Total ou Autonomia Financeira

\[ \small \begin{aligned}\text{Autonomia Financeira}&=\frac {\text{Capital Próprio}} {\text{Ativo}}\\ \\ &= \frac {\text{2.026.253€}} {\text{8.073.236€}} = 25.1\% \end{aligned} \]

Ou seja, os ativos da empresa são financiados em 25.1% por capitais dos sócios/acionistas.

Solvabilidade Reduzida

\[ \small \begin{aligned}\text{Solvabilidade Reduzida}&=\frac {\text{Capital Próprio}} {\text{Passivo}}\\ \\ &= \frac {\text{2.026.253€}} {\text{6.046.983€}} = 33.5\% \end{aligned} \]

Liquidez geral

\[ \small \begin{aligned}\text{Liquidez Geral}&=\frac {\text{Ativo Corrente}} {\text{Passivo Corrente}}\\ \\ &= \frac {\text{6.146.159€}} {\text{4.307.193€}} = 142.7\% \end{aligned} \]

Liquidez reduzida

\[ \small \begin{aligned}\text{Liquidez Reduzida}&=\frac {\text{Activo Corrente - Inventário}} {\text{Passivo Corrente}}\\ \\ &= \frac {\text{4.398.879€}} {\text{4.307.193€}} = 102.1\% \end{aligned} \]

 

Exercício 9

De acordo com o balanço feito à empresa da Rita, do Tomás e do Rui do Exercicio 6:

Qual é o rácio de liquidez reduzida e o rácio de solvabilidade total? Trata-se de uma boa solvabilidade total?

\[ \small \begin{aligned}\text{Liquidez Reduzida}&=\frac {\text{Activo Corrente - Inventário}} {\text{Passivo Corrente}}\\ \\ &= \frac {\text{63.500€}} {\text{20.000€}} = 317.5\% \end{aligned} \]
\[ \small \begin{aligned}\text{Solvabilidade Total}&=\frac {\text{Capital Próprio}} {\text{Ativo}}\\ \\ &= \frac {\text{33.500€}} {\text{153.500€}} = 21.8\% < \frac {1}{3}\end{aligned} \]

Não se trata de uma boa solvabilidade total uma vez que o seu valor é inferior a \(\frac {1}{3}\).

 

Exercício 10

O Rodrigo Coimbra é proprietário de uma empresa especializada na produção de colunas de destilação. Em 2020, a empresa do Rodrigo produziu destiladores cujo preço de mercado é 1000€/unidade e cujo custo variável unitário representa 60% deste valor. Para esta produção, os custos fixos foram de 2 000 000€.

Quantos destiladores precisará ele de vender para ter lucro?

R:

  • \(\text{p = 1000€}\) - Preço de venda unitário;

  • \(\text{cvu = 600€}\) - Custo variável unitário;

  • \(\text{CF = 2.000.000€}\) - Custos Fixos Totais;

\(\text{mcu}\) - Margem de contribuição unitária \(\text{ = p} - \text{cvu}\);

\[ \text{Qc} = \frac{\text{CF}}{\text{mcu}} = \frac{\text{Total dos Custos Fixos}}{\text{Margem de contribuição unitária}} = \frac{\text{2.000.000€}}{\text{1000€ - 600€}} = \text{5000 unidades} \]

 

Exercício 11

Uma empresa portuguesa pensa dedicar-se à produção de drones para diversão, estimando que o seu custo se situe em termos fixos, por ano, no valor de 150.000€. Por sua vez, cada unidade produzida deverá implicar um custo variável de 240€.

a) Assumindo que será possível vender cada drone por 500€, qual o número de drones correspondentes ao ponto crítico?

b) Noutro sentido, admitindo que a quantidade de 300 unidades é uma boa estimativa do possivel número de drones a vender por ano, qual deverá ser o preço unitário a praticar por forma a que a empresa não tenha prejuizo com este novo negócio?

R:

a)

  • \(\text{p = 500€}\) - Preço de venda unitário;

  • \(\text{cvu = 240€}\) - Custo variável unitário;

  • \(\text{CF = 150.000€}\) - Custos Fixos Totais;

\(\text{mcu}\) - Margem de contribuição unitária \(\text{ = p} - \text{cvu}\);

\[ \text{Qc} = \frac{\text{CF}}{\text{mcu}} = \frac{\text{Total dos Custos Fixos}}{\text{Margem de contribuição unitária}} = \frac{\text{150.000€}}{\text{500€ - 240€}} \approx \text{577 drones} \]

b)

Fixou-se a quantidade de unidades a vender como um dado (Q), o preço crítico (pc) ou seja, o preço a praticar para se cobrirem os custos operacionais e se atingir o lucro operacional nulo:

  • \(\text{Q = 300}\) - número de drones a vender
\[ \text{pc} = \frac {\text{CF}}{\text{Q}} + \text{cvu} = \frac {\text{150.000€}} {\text{300}} + \text{240€} = \text{740€} \]